| CÂMARA
DE AGRONOMIA
A necessidade de reformulação do Departamento
Nacional de Produção Mineral – Gestor
dos Bens Minerais do Brasil
Eng. de Minas Mário Bertol
Conselheiro Representante da AGEM
O Departamento Nacional da Produção
Mineral - DNPM, no dia 8 de março do corrente ano comemorou
70 anos, foi criado em 1934, pelo Decreto nº 23.979,
de 08/03/34. Em 1960 foi criado o MME - Ministério
das Minas e Energia, pela Lei nº 3.782 e o DNPM foi incorporado
ao Ministério, que é o órgão do
Poder Executivo responsável pela coordenação
e formulação da política mineral brasileira.
Tem sob sua jurisdição as autarquias, empresas
públicas e agências reguladoras de âmbito
federal, encarregadas de executar a política governamental
do setor, e administrar os recursos minerais do País,
regulamentar e fiscalizar a indústria de produção,
mineral e a distribuição, o comércio
e o consumo dos produtos minerais.
O Departamento Nacional de Produção Mineral
-– DNPM, autarquia vinculada à estrutura do MME,
tem como finalidade promover o planejamento e o fomento da
exploração e do aproveitamento dos recursos
minerais, superintender as pesquisas geológicas, minerais
e de tecnologia mineral, bem como assegurar, controlar e fiscalizar
o exercício das atividades de mineração
em todo o território nacional, na forma do que dispõe
a legislação minerária.
Com sede em Brasília, possui uma estrutura descentralizada,
com 24 Distritos Regionais, se faz presente com escritórios
nas capitais de quase todos os estados da Federação.
No editorial da Gazeta Mercantil de 15/06/2004, constou que:
“Nos últimos anos, enquanto a produção
mineral crescia, em uma conjuntura bastante favorável
do mercado internacional, encolhiam-se os investimentos governamentais
de suporte a uma atividade que responde por 6,2% do PIB. São
conhecidos a vocação mineral do Brasil e o perfil
competitivo de sua indústria, vantagens que colocam
o potencial do país ao lado dos líderes mundiais,
como Austrália, China, Índia e Rússia.
É também conhecida a sua contribuição
para o equilíbrio das contas externas, tendo a balança
comercial do setor revertido os déficits registrados
em 2001 e 2002, para atingir um superávit de US$ 2,8
bilhões em 2003, prevendo-se resultados animadores
também para 2004”.
O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara
Federal, em discurso proferido, destacou entre outros aspectos
os seguintes:
“Com efeito, o subsetor extrativo mineral, medido pós
a primeira transformação industrial, responde
aproximadamente 8,5 % do Produto Interno Bruto, equivalente
a pouco menos de 40 bilhões de dólares norte-
americanos, tendo essa participação aumentando
nos últimos 6 anos. Ademais, a produção
mineral beneficia muitas regiões em que a atividade
econômica é escassa.”
“Outra importante contribuição da atividade
mineral relaciona-se à Compensação Financeira
pela Exploração de Recursos Minerais CFEM, a
qual é devida pelas empresas mineradoras aos estados,
municípios e órgãos da administração
direta da União. Em 2002, a arrecadação
da CFEM foi de R$ 186,3 milhões, tendo alcançado
o valor de R$ 291 milhões em 2003.”
“Um ambiente conducente à realização
de novos investimentos requer política mineral adequada,
a qual compreende: tributação razoável,
oferta de crédito compatível com as particularidades
da atividade e agilidade na concessão de licenças
ambientais. É preciso, ainda, boa gestão dos
bens minerais, para o que a disponibilidade de informações
geológicas básicas é essencial.”
“Infelizmente, os órgãos públicos
incumbidos dessas responsabilidades não dispõem
de condições compatíveis com a magnitude
dessa missão. Efetivamente, tanto a Secretaria de Minas
e Metalurgia quanto o Departamento Nacional de Produção
Mineral DNPM, ambos vinculados ao Ministério de Minas
e Energia, têm de conviver com a carência de recursos
materiais e humanos.”
“Chamo a atenção, também, para
a necessidade de promover ajuste das peças orçamentárias
com vistas a dotar o DNPM dos recursos necessários
à sua modernização tecnológica
e administrativa, com a realização imediata
de concurso público para recrutamento de pessoal técnico.”
Um aspecto relevante que cabe ser destacado é que a
indústria da mineração foi incluída
entre as prioridades do Plano Plurianual 2004 – 2007,
ao lado da agricultura e do turismo.
Conforme o Programa de Modernização e Reforma
do Estado, que encontra-se atualmente em plena execução
pelo Governo Federal, está prevista a reestruturação
do setor mineral brasileiro, a modernização
do Código de Mineração, e a transformação
do Departamento Nacional de Produção Mineral
- DNPM em uma autarquia especial, com as características
das atuais agências existentes no setor de petróleo,
energia elétrica, telecomunicações, dentre
outros etc.
Portanto o cenário atual apresenta-se bastante favorável
a realização das mudanças tão
esperadas, com a reestruturação e consequente
melhoria dos serviços prestados pelo DNPM à
comunidade mineira, bem como as modificações
da legislação minerária adequando-a e
atualizando-a, de modo que estas medidas venham a propiciar
o crescimento da produção mineral com desenvolvimento
sustentável.
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