CÂMARA
DE ARQUITETURA
Urbanismo Negocista
Arquiteto Professor Edmundo Füller
Apreocupação com a evolução da
cidade data de 1914, com o Plano Geral de Melhoramentos de
João Moreira Maciel. Até a década de
1950, os planos eram de natureza viária. A partir de
meados da década de 1940 muitas casas e sobrados do
centro começaram a ceder lugar a edifícios.
Pela falta de regras urbanísticas, muito destes edifícios
iam se justapondo, colados e sem maiores cuidados com aspectos
de insolação, iluminação, ventilação,
etc. Sem regras, antigos prédios de 2 ou 3 pav. seriam
todos demolidos, outros levantados em seu lugar, gerando densidade
excessiva no centro, com graves problemas de congestionamento
nos transportes, em virtude do aumento no número de
veículos e na qualidade das habitações.
Através do Plano Diretor de 1959, fixou-se regras construtivas.
Na década de 1950 surgiu a legislação
sobre loteamentos dispondo sobre arruamento. Até então
as glebas em bairros eram divididas em lotes, sem previsão
de áreas públicas. Por esta razão os
bairros de Porto Alegre são tão carentes de
áreas públicas (praças, escolas).
A visão negocista do atual plano urbano teve início
na década de oitenta. Os impulsos especulativos começam
a sombrear o Planejamento Urbano. A sensata relação
geométrica do plano anterior, definindo a altura máxima
de uma edificação, em vias locais, de 1,5 x
a largura do logradouro, hoje chega de 3,5 a 4,0! Para tanto,
os recuos diminuíram, a taxa de ocupação
aumentou e surgiu um novo elemento morfológico, a chamada
base constituída de 2 pavimentos junto às divisas.
Graças, também a insistência de um vereador,
a altura máxima junto às divisas laterais, passou
de 3 pavimentos para 6! Em conseqüência, a diminuição
da ventilação; prédios com maior grau
de insalubridade. Considerando o clima da cidade de extrema
umidade, paredes mofam, aumentam as doenças bronco-pulmonares
e as artrites-reumatóides se acentuam. A disciplina
Higiene das Habitações deveria ser banida dos
currículos de Arquitetura e Engenharia.
Porto Alegre, ao longo de sua história, vem crescendo.
Em 1900 sua população era de 73.000 hab; em
1980 projetava-se 1,2 milhões; para a década
de 1990, 1,4 milhões e no ano de 2000, 1,6 milhões.
Equívocos. Estima-se, hoje, em 1,3 milhões.
A política de adensamento a partir de taxas anuais
irreais, 2% a 3% e que só ocorrem nas chamadas civilizações
muçulmanas - Sudeste Asiático, Ásia Central
e Oriente Médio -, definiu 260 ec/ha, ou seja, 800
hab/ha nos quarteirões. Traduzindo: um edifício
de 400m de altura dividido em 10 blocos de 40m, são
lançados em vias locais, no bairro Petrópolis,
Higienópolis, Menino Deus, Rio Branco, Moinhos de Vento,
etc. Como conseqüência, sombreamento, baixa iluminação,
(diminuição dos recuos); solo impermeabilizado
(aumento da taxa de ocupação) e poluição
maior (dióxido de carbono).
Adensar mais diante da ociosidade da infraestrutura! As redes
de esgoto (antigas) com bitolas de 120mm, saturadas; as vias
locais estreitas, congestionamento; redes de esgoto miscigenadas;
pontos sem rede de pluvial; vazamentos freqüentes. Onde
a tal ociosidade?
Negociação ocorrida no Legislativo, aumentou
de 15 para 18 pavimentos, mais de 2 de base, ficando assim
assegurada, por insistência de um vereador progressista,
a aplicação do solo criado, verdadeira redenção
das populações de baixa-renda. Estas, por sua
vez, se multiplicam, morando em áreas de risco, encostas
de morro, beira de arroios, áreas inundáveis.
A economia de mercado, o deus-mercado agradece.
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