Jornal do CREA-RS - Junho / 2004 - Ano XXX - Nš 03
 
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Centro Brasileiro para o desenvolvimento de Energia Solar - Primeira sede no Rio Grande do Sul

No final de maio, foi assinado o convênio para instalação do primeiro Centro Brasileiro para o Desenvolvimento de Energia Solar Fotovoltaica (CB- Solar), pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Através de uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, governos estadual e municipal, o Centro será implantado no Núcleo Tecnológico de Energia Solar (NT- Solar) da PUCRS e promete ser o mais moderno laboratório da área na América Latina. O NT localiza-se no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Física do Parque Tecnológico da instituição (TecnoPUC).

O objetivo do centro é traçar alternativas que contribuam para a universalização da energia elétrica no país. Atualmente, estima-se que 3 milhões de residências brasileiras não possuam luz elétrica. Segundo o professor e coordenador do CB- Solar, Adriano Moehlecke, a parceria firmada não implica aporte de recursos, mas na união de esforços. “A PUCRS tem a infra-estrutura e recursos humanos qualificados, já os parceiros vão trazer idéias de projetos a serem desenvolvidos e auxiliar na busca de verbas”, explica.

O NT - Solar foi projetado especificamente para desenvolver protótipos de células solares e módulos fotovoltaicos (que transformam a energia solar em elétrica) e para implementar e analisar sistemas fotovoltaicos. O CB - Solar terá as funções de fazer ciência, desenvolvendo novas estruturas eficientes na conversão de energia solar em elétrica, apresentar e analisar tecnologias para fabricação de células solares e módulos fotovoltaicos mais econômicos dos que são desenvolvidos no exterior. Além disso, o centro também estimulará a formação de recursos humanos especializados na área de energia solar.

Os módulos fotovoltaicos, segundo a professora e também coordenadora do CB - Solar, Izete Zanesco, podem ter dois tipos de sistemas: autônomo e conectado a rede elétrica. O primeiro, sistema autônomo, está sendo estudado como uma das possibilidades para integrar o Programa Luz Para Todos, do Governo Federal, por ser economicamente mais viável para as comunidades isoladas. O sistema é instalado no telhado das casas captando a luz solar durante o dia e convertendo-a em energia elétrica. Esse sistema possui baterias que podem ser utilizadas quando os dias são nublados ou durante a noite. O outro sistema, conectado à rede elétrica, faz apenas a conversão da energia, reduzindo significativamente o valor de Quilowatts/Hora consumidos mensalmente por uma residência. “A aplicação desse sistema, além da conscientização ambiental seria uma colaboração da sociedade para evitar possíveis apagões futuramente”, explica a professora Izete. A principal característica desta forma de produção de energia elétrica é a alta tecnologia visando o baixíssimo impacto ambiental. O módulo fotovoltaico é uma alternativa vantajosa para levar a energia elétrica à zona rural. Outra facilidade são os altos índices de irradiação solar em todas regiões do país. A matéria-prima para construção do módulo é o silício puro, que provém do quartzo, que segundo a professora Izete, o Brasil é uma das maiores reservas mundiais desse produto. “Energia solar é democrática, tanto no sul quanto no norte do país”, ressalta a professora.

O convênio firmado envolve Ministério da Ciência e Tecnologia, secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia e de Energia, Minas e Comunicação do RS, CEEE e Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) de Porto Alegre. Outra parceria importante está sendo construída no NT-Solar para a implantação de uma planta pré-industrial de fabricação dos módulos fotovoltaicos eficientes. O objetivo é construir os módulos fotovoltaicos com a alta eficiência e baixo custo em grande escala, substituindo a importação desta tecnologia feita pelo país atualmente. A industrialização dos módulos fotovoltaicos facilita a expansão da tecnologia eficiente e barata. Ao mesmo tempo, serão desenvolvidas pesquisas visando aprimorar ainda mais a técnica dos professores da PUCRS. Atualmente, o sistema desenvolvido converte 17% da energia solar recebida em elétrica (aproximadamente 3% mais do que as outras técnicas conhecidas), mas a intenção é aumentar para 20% a partir de estudos.
 

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