Jornal do CREA-RS - Junho / 2004 - Ano XXX - Nš 03
 
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Tire suas dúvidas sobre as mudanças do clima

Com os fenômenos climáticos passados pelo estado nos últimos meses, o jornal do CREA-RS buscou informações para entender realmente o que vem acontecendo. Segundo dados da Ufpel – Universidade Federal de Pelotas, o aquecimento global atualmente em curso é em decorrência do aumento da concentração de gases de efeito estufa, que têm sido estimado da ordem de 1°C desde o começo da revolução industrial. Os modelos climáticos globais estão predizendo um aumento de temperatura da superfície da ordem de 1,4 a 5,8°C, intervalo de valores que dependem do cenário futuro de emissões de gases de efeito estufa. Uma das conseqüência do aquecimento global é o drástico aumento no nível do mar em decorrência do derretimento das calotas de gelo polar. Observações nos últimos cem anos mostram uma elevação de quase 10 cm, sendo que as previsões dos modelos climáticos para os próximos cem anos é de que o nível do mar aumentaria entre 10 a 100 cm, resultando em inundação de ilhas e litorais. Outras conseqüências são extremos climáticos como aumento das áreas secas e desérticas contrastando com elevados índices de chuva e enchentes em outras. É esperado também um aumento na freqüência e intensidade de tempestades.

A conseqüência esperada desse aquecimento é uma mudança desigual nos padrões da circulação geral atmosférica. Os climas mais afetados são aqueles das regiões de fronteira climática, como é o caso do Rio Grande do Sul. Entretanto, como a fase é de transição, as mudanças são lentas e seus efeitos sutis para serem percebidos no dia-a-dia. A região costeira do sul do Brasil e Uruguai é uma área formadora de ciclones extratropicais, sendo portanto comum a sua ocorrência, principalmente nos meses mais frios do ano. Uma das conseqüências do aquecimento do clima global pelo efeito estufa é um provável aumento na atividade ciclônica nas regiões de sua ocorrência. Faltam estudos mais detalhados para a região Sul para se confirmar em que extensão estão ocorrendo estas alterações.

O meteorologista Cleo Kuhn acredita que em termos de ciclone há um certo exagero em grande parte. “O nosso litoral é de bastante vento. Cada vez mais as residências estão próximas à água. A lincagem da água do oceano com o continente é uma zona de tubulência, sempre a junção do mar com o continente vai ser zona de turbulência. Antes as casa eram mais baixas e mais longe, o vento afeta o que é mais alto. Expõe-se construções a força do vento, muitos telhados caem, por que eles caem? Muitas vezes por irregularidades das construções. Então acho que antes de se atribuir ao clima devemos eliminar as causas humanas, boa parte das casas que caem são inadequadas. Teve uma época em Porto Alegre que as marquises caiam, o governo baixou um decreto exigindo responsável técnico para cada uma, e elas pararam de cair. Claro que a natureza está mudando, isso não se discute. A própria destruição da mata atlântica tirou uma boa parte da proteção, pois as árvores seguravam os ventos”, compla o meteorologista.

Ciclone

Os ciclones extratropicais formam-se no encontro entre o fluxo de ar quente de origem tropical com o fluxo de ar frio de origem polar, sendo necessário que este fluxo seja convergente. No caso dos ciclones tropicais, estes formam-se sobre os oceanos tropicais onde a temperatura da água está acima de 27ºC. São regiões de baixa pressão atmosférica onde os ventos circulam em torno delas no sentido horário no hemisfério sul e anti-horário no hemisfério norte. A escala destes sistemas do tempo varia de 150km a 2000km de diâmetro conforme o tipo. Existem dois tipos principais de ciclones: os ciclones tropicais que originam-se em torno das latitude de 20º e 10º sobre os oceanos; e os ciclones extratropicais que têm a sua origem entre as latitudes de 30º e 60º. No caso dos ciclones tropicais, denominações diferentes são atribuídas conforme a intensidade dos ventos, assim podendo ser depressões tropicais, tempestade tropical e furacão (ou tufão). Por estarem associados com ventos fortes, chuvas intensas e trovoadas, os ciclones são caracterizados também como tempestades pelo tempo inclemente que trazem, sendo por vezes destrutivo (no caso da categoria furacão sempre o são).

Tempestades

O termo tempestade é atribuído a qualquer estado perturbado da atmosfera de efeito desagradável e efeito destrutivo. Tais condições de tempo são caracterizadas por variações abruptas e valores extremos nos parâmetros pressão atmosférica, ventos e precipitação. O termo tempestades é atribuído de três maneiras distintas: tecnicamente é usado para definir uma categoria de distúrbios atmosféricos altamente localizados, constituídos por nuvens de tempestade e normalmente associados ao aquecimento do ar. Os tornados estão associadas com este tipo de tempestade. O termo também é empregado nas condições de tempo adversas associados a sistemas em escala maior como ciclones tropicais e ciclones extratropicais. Sob outro ponto de vista, o termo tempestade é atribuído a eventos específicos do tempo de natureza perigosa ou destrutiva, geralmente de ocorrência passageira. Neste caso temos tempestade de neve, tempestade de granizo, tempestade de poeira e tempestade de vento (este também chamado de vendaval).

Dados UFPEL

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