| Tire
suas dúvidas sobre as mudanças do clima
Com os fenômenos climáticos passados pelo
estado nos últimos meses, o jornal do CREA-RS
buscou informações para entender realmente
o que vem acontecendo. Segundo dados da Ufpel –
Universidade Federal de Pelotas, o aquecimento global
atualmente em curso é em decorrência do
aumento da concentração de gases de efeito
estufa, que têm sido estimado da ordem de 1°C
desde o começo da revolução industrial.
Os modelos climáticos globais estão predizendo
um aumento de temperatura da superfície da ordem
de 1,4 a 5,8°C, intervalo de valores que dependem
do cenário futuro de emissões de gases
de efeito estufa. Uma das conseqüência do
aquecimento global é o drástico aumento
no nível do mar em decorrência do derretimento
das calotas de gelo polar. Observações
nos últimos cem anos mostram uma elevação
de quase 10 cm, sendo que as previsões dos modelos
climáticos para os próximos cem anos é
de que o nível do mar aumentaria entre 10 a 100
cm, resultando em inundação de ilhas e
litorais. Outras conseqüências são
extremos climáticos como aumento das áreas
secas e desérticas contrastando com elevados
índices de chuva e enchentes em outras. É
esperado também um aumento na freqüência
e intensidade de tempestades.
A conseqüência esperada desse aquecimento
é uma mudança desigual nos padrões
da circulação geral atmosférica.
Os climas mais afetados são aqueles das regiões
de fronteira climática, como é o caso
do Rio Grande do Sul. Entretanto, como a fase é
de transição, as mudanças são
lentas e seus efeitos sutis para serem percebidos no
dia-a-dia. A região costeira do sul do Brasil
e Uruguai é uma área formadora de ciclones
extratropicais, sendo portanto comum a sua ocorrência,
principalmente nos meses mais frios do ano. Uma das
conseqüências do aquecimento do clima global
pelo efeito estufa é um provável aumento
na atividade ciclônica nas regiões de sua
ocorrência. Faltam estudos mais detalhados para
a região Sul para se confirmar em que extensão
estão ocorrendo estas alterações.
O meteorologista Cleo Kuhn acredita que em termos de
ciclone há um certo exagero em grande parte.
“O nosso litoral é de bastante vento. Cada
vez mais as residências estão próximas
à água. A lincagem da água do oceano
com o continente é uma zona de tubulência,
sempre a junção do mar com o continente
vai ser zona de turbulência. Antes as casa eram
mais baixas e mais longe, o vento afeta o que é
mais alto. Expõe-se construções
a força do vento, muitos telhados caem, por que
eles caem? Muitas vezes por irregularidades das construções.
Então acho que antes de se atribuir ao clima
devemos eliminar as causas humanas, boa parte das casas
que caem são inadequadas. Teve uma época
em Porto Alegre que as marquises caiam, o governo baixou
um decreto exigindo responsável técnico
para cada uma, e elas pararam de cair. Claro que a natureza
está mudando, isso não se discute. A própria
destruição da mata atlântica tirou
uma boa parte da proteção, pois as árvores
seguravam os ventos”, compla o meteorologista.
Ciclone
Os ciclones extratropicais formam-se no encontro entre
o fluxo de ar quente de origem tropical com o fluxo
de ar frio de origem polar, sendo necessário
que este fluxo seja convergente. No caso dos ciclones
tropicais, estes formam-se sobre os oceanos tropicais
onde a temperatura da água está acima
de 27ºC. São regiões de baixa pressão
atmosférica onde os ventos circulam em torno
delas no sentido horário no hemisfério
sul e anti-horário no hemisfério norte.
A escala destes sistemas do tempo varia de 150km a 2000km
de diâmetro conforme o tipo. Existem dois tipos
principais de ciclones: os ciclones tropicais que originam-se
em torno das latitude de 20º e 10º sobre os
oceanos; e os ciclones extratropicais que têm
a sua origem entre as latitudes de 30º e 60º.
No caso dos ciclones tropicais, denominações
diferentes são atribuídas conforme a intensidade
dos ventos, assim podendo ser depressões tropicais,
tempestade tropical e furacão (ou tufão).
Por estarem associados com ventos fortes, chuvas intensas
e trovoadas, os ciclones são caracterizados também
como tempestades pelo tempo inclemente que trazem, sendo
por vezes destrutivo (no caso da categoria furacão
sempre o são).
Tempestades
O termo tempestade é atribuído a qualquer
estado perturbado da atmosfera de efeito desagradável
e efeito destrutivo. Tais condições de
tempo são caracterizadas por variações
abruptas e valores extremos nos parâmetros pressão
atmosférica, ventos e precipitação.
O termo tempestades é atribuído de três
maneiras distintas: tecnicamente é usado para
definir uma categoria de distúrbios atmosféricos
altamente localizados, constituídos por nuvens
de tempestade e normalmente associados ao aquecimento
do ar. Os tornados estão associadas com este
tipo de tempestade. O termo também é empregado
nas condições de tempo adversas associados
a sistemas em escala maior como ciclones tropicais e
ciclones extratropicais. Sob outro ponto de vista, o
termo tempestade é atribuído a eventos
específicos do tempo de natureza perigosa ou
destrutiva, geralmente de ocorrência passageira.
Neste caso temos tempestade de neve, tempestade de granizo,
tempestade de poeira e tempestade de vento (este também
chamado de vendaval).
Dados UFPEL |