| CÂMARA
DE ARQUITETURA
O arquiteto, o estatuto e a
reforma urbana
Ednezer Rodrigues Flores
Conselheiro representante do Saergs
Ao nos depararmos com um modismo efervescente de discussões
sobre “as políticas públicas para as cidades”,
causa-me satisfação em ver a sociedade organizada
levantar seus anseios quanto aos problemas urbanos que enfrentamos
no dia a dia; ao mesmo tempo em que surpreende-me a manifestação
de outros “ditos” representantes, tentarem abordar
temas técnicos e muitas vezes induzir a sociedade a
uma postura de paternalismo no que tange ao problema, específico,
da habitação, que impera neste País.
Quando refiro-me ao termo “modismo”, é
óbvio que não dirijo-me a nós Arquitetos,
que estudamos a ciência do urbanismo, desde os primórdios
da raça humana; e nem as demais profissões (sociólogos,
economistas, engenheiros, etc), que na sua formação
também analisam tais problemas, mas sim aqueles que
fazem desta pauta um trampolim político casuístico
e descompromissado com a sociedade brasileira.
Não nos enquadramos, pelo fato de sermos nós
os especialistas em pesquisar, discutir, criar alternativas
e realizarmos propostas concretas, visando resolver os problemas
urbanos enfrentados pela sociedade moderna. Estes, existem
no mundo todo, e não há fórmulas mágicas
ou eleitoreiras para resolvê-los, há sim, um
processo construtivo de um planejamento consciente, afinado
com a sociedade e a comunidade científica, onde nós
arquitetos temos um papel importante a desempenhar, não
esquecendo o que continuamos a realizar.
No momento que a sociedade brasileira vive a institucionalização
de uma política de desenvolvimento urbano, entendo
da necessidade de nossos representantes unirem-se cada vez
mais, com objetivo de bradar ao ouvidos dos gestores públicos,
que para resolverem, entre tantos problemas, o caos da habitação
e do transporte público, da falta de saneamento que
persiste e da inexistência de planos diretores urbanos
e rurais, dependem inclusive da atuação de um
profissional de arquitetura, com habilitação
exclusiva em determinadas atividades.
Na atual conjuntura, em que se formalizam discussões
específicas sobre tais problemas, nós arquitetos,
através de nossas instituições, participamos
de forma ativa, das Conferências Municipais, Estadual
e Nacional, marcando presença e bandeiras históricas,
onde procuro entender quem poderia conhecer, definir e aplicar
melhor do que nós, termos como “Plano Diretor”,
“traçado urbano” ,“equipamento urbano”,
“zoneamento” e tantos outros instrumentos e conceitos
que fazem parte da nossa vida acadêmica, científica
e profissional.
A retórica é antiga, mas entendo que as grandes
questões, não são somente das problemáticas
urbanas, pois para resolvê-las, nos deparamos com uma
discussão maior, que deve ser afinada nos fóruns
internos de arquitetura, e firmados de maneira clara e objetiva
perante a sociedade, pois os problemas urbanos jamais serão
resolvidos sem a presença constante de um profissional
de arquitetura. Tal discussão, tem por pauta nossa
valorização e reconhecimento profissional nos
meios acadêmicos, nos setores públicos, na sociedade
civil organizada (independente do seu nível sócio-econômico)
e principalmente nas nossas instituições representativas.
Sabemos o quanto podemos contribuir num processo construtivo
de reforma urbana, desde que sejamos, acima de tudo, respeitados
e valorizados como profissionais que somos, onde acredito
que tais procedimentos só venham a enriquecer na busca
de soluções para uma moradia digna, ordenada
e planejada, ou na construção de um traçado
urbano que formule equipamentos e espaços integradores
ao meio urbano e ao rico meio ambiente de que dispomos. Quero
crer que a implantação do Estatuto das Cidades
possibilite conscientizar a todos da necessidade de um trabalho
integrado e planejado, possibilitando assim a implantação
de um processo de urbanização racional e coerente
com a nossa realidade social, política e financeira.
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