Um planeta habitável depende da mudança de comportamentos


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“Quente”, apresentada com a devida seriedade, mas de forma leve, a palestra “Cidades Sustentáveis no combate às mudanças climáticas”, ministrada por Diana Guzmán Barraza, refrescou a programação da 76ª Soea do início da tarde da quarta-feira (18/9). Mexicana de nascimento, formada na Grã-Bretanha e com mestrado em Engenharia de Energia Sustentável, Diana é consultora em Energia, Sustentabilidade e Mudanças Climáticas, e dividiu com o público as experiências de cidades hoje consideradas sustentáveis – como Dubai, Singapura, Copenhagen, Tóquio e Londres, entre outras -, que alcançam esse patamar por meio de projetos pontuais.

Desafios, soluções e como acelerar o progresso foram as questões tratadas, começando com a realidade climática atual que “preocupa e exige ações imediatas”, segundo Diana, entre outras razões, por conta do grande volume de emissão de gases poluentes que invadem a camada de ozônio, “que por enquanto é capaz de nos proteger”, alertou. Responsabilizando praticamente todas as atividades humanas, Diana disse que no Brasil “as emissões vêm, principalmente, da agropecuária”, e destacou a importância de saber de onde são emitidas para combatê-las com mais eficiência.

Evaporação d’água, chuvas torrenciais, deslizamentos, enchentes, secas prolongadas e furacões: “os prognósticos são de que essas situações devem se agravar”, afirmou Diana, antes de acrescentar: “com a seca, o Brasil perde US$4.3 bilhões por ano”. Embora seres humanos apresentem cada vez mais doenças respiratórias e cardiovasculares, e os animais também sofram com os incêndios florestais, “não se fala muito sobre isso”, lamenta a palestrante, que alerta para o fato de que “a pecuária e a mineração ocupam espaços que antes eram ocupados por florestas”. Para Diana, essa realidade revela que “nosso planeta não será habitável dentro de poucos anos, sem água e sem comida, atingindo primeiramente os mais pobres e depois tornando todas as pessoas vulneráveis às mudanças climáticas”. “Precisamos solucionar ou ao menos mitigar os problemas climáticos, que, na medida em que se agravam, tornam mais altos os custos da energia elétrica e da comida”, afirmou, mostrando aflição.

Ao menos em um quesito o Brasil “é um excelente exemplo: na geração de energia limpa, em função das hidrelétricas”. Diana defende o reaproveitamento de água na agricultura e em diversas atividades urbanas, como na limpeza de ruas, na irrigação de jardins e na higiene pessoal. Para ela, é importante formar líderes climáticos, que repliquem informações para as populações sobre o reaproveitamento de resíduos de construção e de reformas.

Comparando o disparate entre a diferença do espaço de terra ocupado por cidades – 2 a 3% – e as emissões de gases poluentes – 80% -, Diana se revela cada vez mais engajada no movimento que governos e populações de todos os países devem fazer desde já para termos cidades sustentáveis e inteligentes, como Tóquio e Londres, que se destacam pela conectividade. “É preciso mudar comportamentos do governo, do setor privado e das populações”, afirma Diana, que indaga: “como você se imagina no futuro? Como e quais decisões podem e devem ser tomadas hoje para melhorar os dias que virão e a vida das novas gerações?”.

Para Diana, o importante é coordenar esforços conjuntos para mudar a realidade atual, questionando, por exemplo, “como o trabalho de cada um pode impulsionar ações na direção correta da sustentabilidade”. “Vontade, decisões e a aplicação de princípios são mais que necessários. Disso depende o nosso amanhã, de nada mais”, afirmou Diana, antes de concluir: “este país tem muitas possibilidades, que só se tornarão reais se as pessoas tomarem decisões às vezes inconvenientes, mas necessárias”.

Reportagem: Maria Helena de Carvalho (Confea)
Edição: Beatriz Craveiro (Confea)
Revisão: Lidiane Barbosa (Confea)
Equipe de Comunicação da 76ª Soea
Fotos: Damasceno Fotografia/Confea e Marck Castro

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