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Estudo indica caminhos para popularizar alimentos com insetos


Engenheira de alimentos e pesquisadora da Embrapa Rosires Deliza. . Créditos: Kadijah Suleiman

Uma pesquisa recente da Embrapa mostrou que a combinação certa de informação e apresentação pode fazer toda a diferença na hora de experimentar novos alimentos. Por exemplo: quando produtos à base de farinha de insetos vêm acompanhados de imagens apetitosas e mensagens que destacam os benefícios para a saúde e o sabor, a resistência das pessoas diminui e a curiosidade cresce. 

E tem um detalhe curioso observado durante os testes: quem recebeu informações sobre saúde não só ficou mais disposto a provar, como também passou a enxergar esses alimentos como opções mais sustentáveis do que as fontes convencionais de carne. Ou seja, o “estranho” começa a ganhar pontos quando entra em cena o argumento do bem-estar pessoal e do planeta.

Pesquisa realizada pela Embrapa mostra que recursos textuais aliados a imagens dos produtos podem contribuir para reduzir a neofobia alimentar. - Foto: Kadijah Suleiman

Para neutralizar a neofobia alimentar – relutância em consumir comida desconhecida –, a pesquisa utilizou um velho conhecido do brasileiro: o biscoito. “A escolha por biscoitos levou em consideração que esse tipo de alimento é familiar no Brasil e diversos autores relatam a familiaridade como um fator que impulsiona não apenas a aceitação, mas também a disposição para experimentar e comprar produtos à base de insetos”, explica a engenheira de alimentos e pesquisadora da Embrapa Rosires Deliza, ao comentar que os resultados do experimento foram observados a partir de dois estudos, um deles com a degustação de biscoitos de farinha de insetos, em um supermercado no Rio de Janeiro.

Tudo isso acontece em um contexto maior, marcado pela busca por alternativas mais sustentáveis do que as proteínas tradicionais, já que o modelo atual de consumo de carne levanta preocupações ambientais no mundo todo. Neste cenário, a pesquisa levou em consideração o relatório OECD-FAO Agricultural Outlook 2021-2030 - Perspectivas para a Agricultura 2021-2030 - da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A coordenadora do estudo salienta que os insetos não são coletados de forma aleatória. “São criados especificamente para esse fim, de forma higiênica e com controle microbiológico, uma vez que não se pode expor o consumidor a nenhum risco”, pontua Deliza. 

Dados podem subsidiar legislação
A pesquisadora da Embrapa observa ainda que os dados levantados a partir desses estudos podem subsidiar o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de legislação sobre o consumo de alimentos à base de insetos no Brasil. “Além disso, as informações dessa pesquisa podem ser úteis para profissionais de marketing, desenvolvedores de produtos e formuladores de políticas focados na promoção de opções alimentares sustentáveis e na expansão do mercado de alimentos à base de insetos”, sugere a engenheira com pós-doutorado em Análise Sensorial e Estudos do Consumidor no INRA (Institut National de la Recherche Agronomique), na França, que já foi citada no ranking dos 2% de pesquisadores mais influentes do mundo, conforme estudo da Universidade Stanford (EUA).

Para conhecer os detalhes do estudo coordenado pela engenheira de alimentos Rosires Deliza, acesse o artigo publicado no Journal of Sensory Studies, intitulado Sustainable Bites: can health goal framing and perceived sustainability reduce the impact of food neophobia on the intention to purchase insect-based products?


Edição: Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea, com informações da Agência Embrapa 

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