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Boas práticas em empresas: apoio e acolhimento no ambiente


A primeira-dama de Farroupilha, Juliane Lazzari Tomazini, compartilhou ações voltadas à proteção da mulher. Créditos: Arquivo CREA-RS

No último painel do I Encontro do CREA-RS sobre Ambientes de Trabalho Seguros e Acolhedores, a primeira-dama de Farroupilha, Juliane Lazzari Tomazini, compartilhou ações voltadas à proteção da mulher, com destaque para o programa Eu Respeito, recentemente institucionalizado como política pública permanente. A iniciativa busca priorizar a prevenção e a reeducação de homens como forma de enfrentar a violência ainda em estágio inicial.

Idealizado pelo gabinete da primeira-dama em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, o programa oferece acompanhamento psicológico especializado e reforça a importância da integração entre políticas municipais e estaduais na construção de ambientes mais seguros e acolhedores.

O Programa “Eu Respeito” é um canal oficial e voluntário de acolhimento destinado a homens que estejam praticando ou reconheçam comportamentos de violência no âmbito familiar e desejem buscar ajuda.

primeira-dama de Farroupilha, Juliane Lazzari Tomazini, e a coordenadora Silvana de Lima

O programa tem como objetivo promover reflexão, responsabilização e mudança de comportamento, contribuindo para a redução da reincidência da violência e para o fortalecimento da proteção às mulheres e às famílias.

“Até agora, tudo o que falamos foi sobre a violência contra a mulher. Por isto trouxe comigo a Coordenadora do Centro de Referência à Mulher no Município, Silvana de Lima, que vai apresentar os fatores de risco. Eu acompanho isso no meu dia a dia. E a grande maioria dos boletins de ocorrência tem algo em comum: o consumo de álcool”, iniciou sua palestra. 

De acordo com Silvana, é importante deixar claro: o álcool não é o causador da violência. “Ele não transforma alguém em violento do nada. Mas ele potencializa comportamentos, ele reduz o controle, ele libera impulsos que já existem. E isso aparece de forma muito evidente nos registros que recebemos diariamente”, esclareceu. 

Ressaltou ainda que o consumo excessivo de álcool está presente na maioria dos casos. “E quando a gente soma isso com outros fatores como histórico de comportamento agressivo, necessidade de controle, ciúmes excessivos tudo isso se intensifica ainda mais”, apontou.

Nesse ponto, segundo ela, entra um ponto importante: o álcool é uma droga lícita, barata, socialmente aceita e, muitas vezes, até incentivada. É difícil, por exemplo, alguém dizer em um ambiente social que não bebe. Existe uma pressão cultural muito forte em torno disso. Por isso, eu considero o álcool uma das drogas mais perigosas, justamente por esse poder de potencializar outras reações. 

“Agora, trazendo um exemplo prático, especialmente pensando no papel das CIPAs que são fundamentais nesse processo, tivemos um caso em Farroupilha que ilustra bem essa importância. Uma trabalhadora começou a apresentar queda na produtividade. A chefia imediata percebeu e chamou para conversar. Foi então que se descobriu que ela estava vivendo uma situação grave de violência doméstica’, contou. 

Essa mulher foi encaminhada ao RH, que acionou a coordenadoria. “Fizemos o acolhimento e iniciamos o atendimento. Mas aí encontramos outro problema: quando essa mulher solicita uma medida protetiva, muitas vezes ela perde parte da renda familiar”, detalhou. 

“E isso gera um efeito em cadeia. Ela deixa de fazer acompanhamento psicológico porque precisa faltar ao trabalho e acaba sofrendo descontos no salário. Com menos recursos, ela passa a ter dificuldades para sustentar a casa e, muitas vezes, acaba desistindo do tratamento. E, em alguns casos, retorna para o agressor”, explicou. 

Alertou que, nesse caso específico, houve um momento em que o próprio RH questionou: “Tu tens certeza de que quer fazer isso?”. E, por falta de condições financeiras, ela acabou voltando. 

“Percebam a gravidade disso. Não é só uma questão de acolher é preciso pensar em soluções estruturais. Já levamos essa discussão para a Câmara de Indústria e Comércio, buscando alternativas com empresários e com as Cipas, justamente para evitar que a mulher seja penalizada por buscar ajuda. Porque, no fim das contas, ela está tentando se proteger, mas acaba perdendo renda, estabilidade e, muitas vezes, até o sustento dos filhos. E isso é extremamente sério.” 

Programa Eu Respeito em pauta

Segundo a coordenadora, o treinamento vai além de capacitar pessoas dentro da empresa. “Ele busca formar uma rede de apoio. A ideia é que essas pessoas se tornem braços da coordenadoria, do centro de referência, que saibam identificar sinais, acolher sem julgar e orientar corretamente sobre onde buscar ajuda.” 

A primeira-dama destaca que o município também tem investido na prevenção desde cedo. “Além do programa “Me Respeita”, iniciamos no ano passado o “Me Respeita Mirim”, voltado para escolas. Levamos esse trabalho para alunos a partir do sexto ano, em parceria com a Secretaria de Educação. Adaptamos a linguagem para ser mais acessível e, em vez de um único encontro, realizamos cinco encontros com cada turma. 

Segundo a primeira-dama, o enfrentamento da violência doméstica exige ações firmes, responsáveis e preventivas. “O Eu Respeito nasceu para oferecer um caminho de conscientização e cuidado, permitindo que homens reconheçam seus comportamentos, busquem ajuda e rompam ciclos de violência, fortalecendo a proteção às mulheres e às famílias.” 
  
“Trabalhamos temas como comunicação não violenta, respeito e identificação de situações de risco. O objetivo é que essas crianças entendam que certas situações não são normais seja dentro de casa, na vizinhança ou em relatos de colegas.”

Começaram com duas escolas. A ideia é formar essa consciência desde cedo: que meninas saibam que não precisam aceitar controle ou violência em relacionamentos, e que meninos entendam que a violência não é normal e que o respeito deve ser a base de qualquer relação.

“Porque, no fim, todos nós nascemos de uma mulher. E esse respeito precisa começar aí e se estender para todas as relações ao longo da vida.”, finalizou a primeira-dama.

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