CREA-RS presente à 4ª temporada do Mapa Econômico

Créditos: Arquivo CREA-RS
A presidente do CREA-RS, Eng. Amb. Nanci Walter, participou da 4ª temporada do Mapa Econômico, projeto do Jornal do Comércio que percorre o Estado debatendo os desafios e oportunidades da economia gaúcha e conta com o apoio do Conselho desde sua 1ª edição. Esta etapa, ocorreu em Cachoeira do Sul, na noite de quarta-feira, 15 de abril. “Para nós que representamos mais de 90 mil profissionais, sempre é bom estar presente neste projeto, que é maravilhoso e que deve ter desdobramentos, aproveitando os dados que só o Jornal do Comércio tem”, destacou a presidente.
A cidade, na Região Central do Estado, reúne ativos estratégicos que colocam o município em posição de destaque no cenário econômico regional, mas ainda enfrenta entraves estruturais que limitam seu pleno desenvolvimento. A avaliação foi feita pelo presidente da Câmara de Agronegócio, Comércio, Indústria e Serviços de Cachoeira do Sul (Cacisc), Rafael Vargas de Quadros, em sua palestra no encontro.
Para Quadros, a cidade foi "agraciada na sua forma natural", com localização privilegiada e forte presença do setor primário, com uma cadeia produtiva diversificada que vai do agronegócio à indústria de base tecnológica. Esse conjunto, afirmou, confere ao município uma "essência econômica muito importante", capaz de sustentar novos ciclos de crescimento.
No entanto, o dirigente chamou atenção para a necessidade de avançar na diversificação da matriz econômica, hoje fortemente dependente do setor primário. A cidade e a região precisam, em sua avaliação, abrir espaço para novas atividades, especialmente ligadas à inovação e ao conhecimento. Nesse contexto, o papel das instituições de ensino superior foi apontado como decisivo.
"Precisamos passar de uma cidade com universidades para uma cidade universitária", sustenta. A mudança de conceito passaria por reter o capital intelectual local. "Os jovens vêm estudar aqui, mas acabam indo embora. Precisamos criar condições para que permaneçam e gerem desenvolvimento", afirmou. Ampliar a oferta de formação com cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado é um caminho sugerido por Quadros. Ele defende que isso cria um ambiente favorável à pesquisa e à inovação, além de formar um novo público para residir e consumir na região.
A aproximação entre academia, setor produtivo e poder público também foi destacada como elemento-chave. Para o presidente da Cacisc, essa integração pode dar origem a um novo segmento econômico baseado em tecnologia, startups e soluções inovadoras. Ele citou iniciativas já existentes no município como exemplos de um ecossistema em formação, que precisa de estrutura para se expandir.
O presidente da Cacisc também falou da necessidade de investir em tecnologia aplicada ao agronegócio, especialmente diante dos eventos climáticos extremos que atingem o Estado e impactam a safra. Com a tendência de aumento de eventos como chuvas intensas e secas prolongadas, Quadros ressaltou que será indispensável elevar a produtividade por meio da inovação. "Temos alternativas, mas precisamos aproximar esses meios e dar condições de estrutura", pontuou.
Apesar das potencialidades, o dirigente foi enfático ao apontar a infraestrutura como o principal gargalo ao desenvolvimento. Problemas logísticos, como limitações em rodovias, pontes, ferrovia desativada e porto inoperante, dificultam tanto o escoamento da produção quanto a atração de novos investimentos. "Como vamos atrair empresas se temos dificuldade até de acessar a cidade?", questionou.
A ausência de áreas industriais plenamente estruturadas também surge como obstáculo. Embora exista um novo parque em desenvolvimento, próximo à região portuária, o projeto ainda demanda investimentos e planejamento para se tornar efetivamente competitivo. Paralelamente, deficiências em serviços básicos, como abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica, agravam o cenário e impactam diretamente a operação das empresas já instaladas.
Diante desse diagnóstico, Quadros defendeu a definição clara de prioridades. Para ele, a dispersão de esforços compromete a efetividade das ações. "Não é possível tratar tudo como urgente. É preciso escolher o que é prioridade e trabalhar de forma integrada", afirmou, indicando a infraestrutura e a logística como o ponto de partida.
Quadros encerrou sua participação com uma mensagem mais otimista em relação ao futuro de Cachoeira do Sul e da região central do Estado. "Temos todas as condições de retomar nosso protagonismo regional. O desafio é transformar esse potencial em resultados concretos", concluiu.

