A infraestrutura brasileira em debate no CREA-RS

Apresentação do administrador Alexandre Borsato, assessor do Confea, durante abertura da última Sessão Plenária do Conselho. Créditos: Arquivo CREA-RS
Monitorar a infraestrutura do país, identificar fragilidades e auxiliar gestores públicos na tomada de decisões. Esse é o propósito do Infra-BR, plataforma lançada em março pelo Confea que avalia, estado por estado, as condições da infraestrutura brasileira a partir de seis dimensões temáticas e 67 indicadores técnicos.
A ferramenta foi apresentada aos conselheiros do CREA-RS pelo assessor do Confea o administrador Alexandre Borsato, durante abertura da última Sessão Plenária do Conselho, a convite da presidente do CREA-RS, Eng. Amb. Nanci Walter.
Ao recepcionar o representante do Confea, a presidente Nanci destacou a importância da apresentação, permitindo que os conselheiros conhecessem em profundidade uma iniciativa que considera estratégica para o Sistema Confea/Crea. “É um orgulho fazer parte de um sistema que pensa na valorização das nossas profissões e, principalmente, no impacto que elas têm lá na ponta, na vida das pessoas”, afirmou.
Eng. Amb. Nanci também ressaltou que projetos dessa dimensão somente são possíveis de forma coletiva e colaborativa. “Ninguém realiza um trabalho dessa envergadura sozinho. O Infra-BR servirá como uma importante fonte de informações e um verdadeiro radar voltado às nossas profissões e à infraestrutura do país”, disse, colocando o CREA-RS à disposição para contribuir com a iniciativa.
Durante sua fala, Nanci ainda relembrou a atuação do Sistema durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. “Naquele período, estávamos todos em trabalho remoto, com os carros da fiscalização auxiliando no transporte de doações, além das vistorias e laudos técnicos que ajudaram no processo de reconstrução. Precisamos lembrar o que aconteceu e tudo o que conseguimos fazer para ajudar, mas também pensar em como evitar que outro maio de 2024 aconteça novamente”, destacou.
Divisor de Águas
Com 12 anos de atuação no Confea, Alexandre Borsato definiu o Infra-BR como um “divisor de águas” dentro do Sistema. “Estamos enxergando neste projeto um grande propósito. Temos muito a contribuir com o futuro do país”, afirmou.
Segundo ele, a plataforma vai além da simples reunião de dados estatísticos. O objetivo é transformar informações técnicas em instrumentos de planejamento e gestão pública. “Aquilo que a gente não mede, a gente não consegue gerenciar. Se não entendemos onde está o problema, fica muito mais difícil resolvê-lo”, pontuou.
Borsato explicou que o índice foi desenvolvido para permitir diagnóstico, planejamento, monitoramento e priorização de ações em infraestrutura. Mais do que comparar estados entre si, a proposta é acompanhar a evolução histórica de cada unidade federativa. “Não queremos comparar o Acre com outro estado, mas o Acre de 2026 com o Acre de 2028. O gestor público poderá medir sua própria atuação”, explicou.
A plataforma reúne indicadores em seis grandes eixos temáticos e utiliza critérios técnicos para mensurar a situação da infraestrutura nacional. O assessor destacou que muitos gestores públicos desconhecem os principais desafios estruturais de suas administrações, e que o Sistema Confea/Crea pode auxiliar justamente nesse ponto, oferecendo expertise técnica em engenharia e infraestrutura. “Nossa ideia é subsidiar o tomador de decisão para que ele entenda qual o melhor caminho seguir”, afirmou.
Durante a apresentação, Borsato utilizou referências conhecidas para reforçar a importância do planejamento orientado por dados. Citou a frase do clássico Alice no País das Maravilhas — “Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve” — e também o princípio do estatístico William Edwards Deming: “Em Deus confiamos; para todos os outros, tragam os dados”.
O assessor detalhou ainda as etapas de desenvolvimento do Infra-BR, lançado oficialmente em 16 de março, além da metodologia utilizada na construção dos indicadores. Entre os exemplos apresentados, citou os índices de perdas na distribuição de água no Rio Grande do Sul. “Se não fizermos nada diferente, o resultado continuará sendo o mesmo. Podemos chegar em 2029 com os mesmos 40% de perdas. Soluções de engenharia existem para cada um desses indicadores, mas precisamos aplicá-las”, ressaltou.
Atualmente, o índice nacional de infraestrutura brasileiro está em 56,92 pontos, numa escala de 0 a 100. “Temos muito espaço para melhorar e esperamos que esse trabalho sirva de subsídio para isso”, concluiu.

