A pesquisadora da Embrapa Cerrados Iêda de Carvalho Mendes foi selecionada pela revista Forbes Brasil para integrar a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026. Engenheira-agrônoma formada pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Ciência do Solo pela Oregon State University, nos Estados Unidos, ela ingressou na Embrapa em 1989 e foi reconhecida por liderar a equipe que, ao longo de mais de 20 anos, desenvolveu a BioAS (Bioanálise de Solos).
A tecnologia tornou o Brasil pioneiro na inclusão de indicadores biológicos em análises rotineiras de solo, permitindo que produtores rurais monitorem sua saúde e adotem práticas de manejo mais sustentáveis. “Nosso trabalho mostra que a pesquisa é capaz de promover mudanças reais em favor da agricultura, de transformar a maneira como avaliamos e manejamos nossos solos, contribuindo para a preservação do meio ambiente”, afirmou Iêda de Carvalho Mendes.
A Forbes Brasil também destaca a participação da pesquisadora e de sua equipe no desenvolvimento da Plataforma Saúde do Solo BR, lançada pela Embrapa durante a COP30. A iniciativa conecta laboratórios e reúne informações para subsidiar o monitoramento da saúde dos solos, a pesquisa científica e ações voltadas ao manejo sustentável de áreas agrícolas. A implementação da BioAS foi fundamental para viabilizar a plataforma.
Prêmio Norman Borlaug
Em agosto, Iêda recebeu o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026, concedido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Na ocasião, a pesquisadora relembrou sua trajetória de quase quatro décadas na Embrapa e destacou o desenvolvimento da tecnologia BioAS, lançada em 2020 após duas décadas de pesquisas.
Conhecida como uma espécie de “exame de sangue do solo”, a tecnologia avalia sua saúde por meio de indicadores biológicos associados à matéria orgânica. Os resultados permitem identificar se o solo apresenta boas condições, está em recuperação ou demonstra sinais de degradação. “Sabemos que o solo saudável, assim como a pessoa saudável, é mais produtivo. Ele armazena mais água, sequestra mais carbono e tem mais resiliência aos estresses climáticos. E sabemos que, com o solo saudável, vai ser difícil passar por esse momento atual e, sem ele, vai ser impossível. Então, esse prêmio é muito importante para valorizar os nossos trabalhos em saúde do solo”, avaliou.
Iêda também ressaltou a importância da pesquisa científica e do apoio das instituições de fomento para viabilizar estudos de longo prazo e promover uma agricultura cada vez mais orientada por processos, e não apenas por produtos. Segundo a pesquisadora, o Brasil conta atualmente com uma rede de cerca de 30 laboratórios comerciais conectados à Embrapa para a realização de análises de saúde do solo. Essa estrutura permitiu formar um banco de dados com mais de 71 mil amostras, que constitui uma importante base de inteligência territorial sobre as condições dos solos brasileiros.
Trajetória
Nascida em Brasília e neta de lavradores, Iêda de Carvalho Mendes construiu uma carreira dedicada à microbiologia e à saúde do solo. Foi a primeira pessoa da família a concluir o ensino superior e graduou-se em Agronomia pela Universidade de Brasília (UnB), em 1987. Dois anos depois, ingressou na Embrapa. Posteriormente, obteve o doutorado em Ciência do Solo pela Oregon State University, nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, destacou-se pelas pesquisas em ecologia microbiana e fixação biológica de nitrogênio. Mais tarde, dedicou-se aos estudos que resultaram no desenvolvimento da BioAS, tecnologia que permite avaliar a saúde do solo com base em indicadores de sua atividade biológica.
Seu trabalho contribuiu para aproximar o conhecimento científico da realidade dos produtores rurais e demonstrar a importância de solos biologicamente ativos para a produtividade agrícola, a sustentabilidade, a segurança alimentar e a adaptação às mudanças climáticas.
Sobre o prêmio
O engenheiro agrônomo e geneticista norte-americano Norman Borlaug foi um dos principais nomes da Revolução Verde, movimento que transformou a agricultura mundial. No México, desenvolveu variedades de trigo de alto rendimento e resistentes a doenças que, combinadas a novas práticas agrícolas, contribuíram para ampliar a produção de alimentos e fortalecer a segurança alimentar em diversos países.
Por sua contribuição ao combate à fome, Borlaug recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1970. Inspirado em seu legado, o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade reconhece profissionais do agronegócio que aliam ciência, inovação e compromisso com uma agricultura mais sustentável.
Fernanda Pimentel / Equipe de Comunicação do Confea, com informações da Embrapa



