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2º Outubro Rosa do CREA-RS aborda prevenção do câncer de mama e enfrentamento à violência contra as mulheres


Créditos: Arquivo CREA-RS

A saúde, a valorização e a proteção das mulheres estiveram em pauta na tarde desta segunda-feira (26), no Plenário Farroupilha do CREA-RS. Realizado pelo Programa Mulher do Conselho, em parceria com o Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama RS), o evento abordou a prevenção e a detecção precoce do câncer de mama, além de ações de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Na abertura, a presidente do CREA-RS, Eng. Amb. Nanci Walter, recebeu a coordenadora do Programa Mulher, Eng. Geól. Bruna Koppe; a secretária da Mulher do Rio Grande do Sul, Ana Costa; e a primeira-dama de Alvorada, Thaise Martello.

Em sua fala, a presidente destacou a importância de receber parceiros na sede do Conselho, que comemorou um ano da inauguração do Plenário Farroupilha. “É sempre bom ver o espaço ocupado. Cada uso é uma inauguração para nós. E, neste mês especial, com um tema tão relevante para nós, mulheres, capitaneado aqui pelo Programa Mulher, que também muito nos orgulha.”

A Eng. Geól. Bruna Koppe ressaltou a importância de as mulheres dedicarem atenção à própria saúde. “Muitas vezes cuidamos de tantas coisas que esquecemos de cuidar de nós mesmas. Então, esta será uma tarde para lembrarmos disso, da importância do autocuidado, para podermos estar bem e cuidar das demais demandas.”

Representando a Secretaria da Mulher, a diretora do Departamento de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Carina Bernardi, destacou que o autocuidado vai além da saúde física. “É muito importante termos estes encontros para falar sobre o Outubro Rosa, mas a saúde da mulher vai além. Passa pelo cuidado com a saúde mental e com a segurança física, lembrando que temos altas taxas de feminicídio e estamos atuando nesse combate.”

A primeira-dama de Alvorada, Thaise Martello, também chamou a atenção para a sobrecarga das mulheres com as responsabilidades familiares e a importância do autocuidado ao longo de todo o ano. “Somos ensinadas desde cedo a cuidar da família e acabamos descuidando de nós. Então, temos que ter esse olhar e esse amor-próprio o ano inteiro. A desigualdade de gênero acaba nos atingindo também nesse aspecto, porque temos culturalmente essas demandas de cuidados familiares.”

Thaise também ressaltou a representatividade de ter uma mulher à frente do CREA-RS. “Isso é muito importante, principalmente na Engenharia, que sabemos ser um ambiente ainda predominantemente masculino.”

Encerrando a abertura e introduzindo as palestras, a ouvidora do Conselho, Andrea Caputti, compartilhou seu depoimento sobre a experiência de enfrentar um câncer de mama, diagnosticado precocemente, quando ainda havia boas perspectivas de tratamento.

Saúde da mama: conscientização, autocuidado e detecção precoce

Representando o Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama RS), Altair de Canto apresentou o trabalho desenvolvido pela entidade no apoio a mulheres com diagnóstico de câncer de mama no Estado. Atualmente, o instituto atende mais de 1,5 mil pacientes oncológicas, oferecendo suporte desde o ingresso na Casa do Imama até o final do tratamento. Ao longo da apresentação, destacou a importância da detecção precoce da doença.

Entre as iniciativas estão o empréstimo de perucas, a oferta de terapias complementares, atividades físicas, fisioterapia e acompanhamento nutricional. Também foi apresentado o trabalho de um tatuador voluntário que realiza tatuagens para mulheres que, em decorrência da cirurgia para retirada do tumor, não puderam preservar o mamilo.

A palestra abordou ainda o conhecimento do próprio corpo e a observação de possíveis alterações nas mamas, além dos exames utilizados na detecção da doença. Durante a apresentação, Altair demonstrou técnicas de palpação e observação das mamas e destacou fatores associados ao risco de câncer, como obesidade, tabagismo, consumo de álcool e sedentarismo.

Valorização e proteção das mulheres: ações da Secretaria da Mulher no RS

As iniciativas de prevenção à violência de gênero, combate e acolhimento de mulheres em situação de violência em todo o Rio Grande do Sul foram apresentadas pela psicóloga Micheleini Abel da Silva, chefe da Divisão de Proteção e Acolhimento da Mulher da Secretaria da Mulher.

“Temos todo um sistema integrado de proteção à mulher, que inclui os abrigos, com mais de 1.500 vagas, e que permitem que a mulher recomece de forma consciente; a Escuta Lilás; a Linha Calma, que também alcança os homens; o Ônibus Lilás; e o Espaço Lilás, que são espaços para a mulher entender o risco que está correndo e para tentar fazer com que esse agressor mude seu comportamento.”

Micheleini explicou que os dados gerados pelas ações também contribuem para o planejamento de políticas públicas e para o atendimento das demandas futuras. Nesse contexto, apresentou o Guia Estadual Município por Elas e a Cartilha da Lei Maria da Penha, que, segundo ela, serão disponibilizados em breve aos municípios cadastrados. “Para que nenhuma prefeitura tenha dúvidas sobre como fortalecer a rede de acolhimento”, destacou.

Botão Lilás: tecnologia e proteção às mulheres em Alvorada

A experiência de Alvorada no enfrentamento à violência contra as mulheres foi apresentada pela primeira-dama do município, Thaise Martello. Ela destacou as iniciativas que contribuíram para o aprimoramento das ações de proteção na cidade, que, segundo os dados apresentados no evento, chegou ao último trimestre de 2026 sem registros de feminicídio.

“Esta é uma causa de todos nós, então temos que valorizar muito o espaço para falar sobre a violência contra a mulher”, afirmou. Entre as iniciativas está a Patrulha Guardiã da Vida, vinculada à Guarda Municipal. Segundo Thaise, 89 mulheres com medidas protetivas no município são acompanhadas pela equipe, que realiza rondas três vezes ao dia. Elas também contam com atendimento psicológico na chamada Sala Lilás.

A primeira-dama apresentou ainda o Botão Lilás, ferramenta que funciona como um botão de emergência no celular. Quando acionado três vezes, o dispositivo encaminha um guarda ao endereço indicado, para atender a mulher em situação de risco. “Ele tem funcionado muito bem. Já tivemos casos em que essa rápida ação salvou vidas. Então, isso tem sido motivo de orgulho para nós”, concluiu.

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