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O impacto de uma cientista brasileira na luta contra o pé diabético


Créditos: Arquivo CREA-RS

Na semana do Dia Internacional das Mulheres, a trajetória da engenheira biomédica, cientista e professora Suélia Rodrigues revela mais do que um avanço tecnológico: mostra como pesquisadoras brasileiras vêm liderando frentes capazes de impactar políticas públicas, reduzir desigualdades em saúde e transformar a vida de milhões de pessoas.

O número de adultos com diabetes no Brasil cresceu 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população. A estimativa atual é de cerca de 20 milhões de pessoas vivendo com a doença no país, segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), pesquisa anual do Ministério da Saúde que monitora hábitos e fatores associados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.

É nesse contexto que se destaca o trabalho de Suélia, professora da Universidade de Brasília (UnB). Ela lidera o desenvolvimento do Rapha, um dispositivo que combina um curativo de látex natural com luzes LED terapêuticas para acelerar a cicatrização de feridas crônicas. A motivação para a pesquisa surgiu de uma experiência familiar. O pai da pesquisadora enfrentava complicações graves do diabetes. A busca por uma solução acessível e aplicável ao sistema público de saúde evoluiu para um projeto científico robusto, fruto de quase 20 anos de estudos conduzidos pelo Grupo de Engenharia Biomédica da UnB, coordenado por Suélia e pelo pesquisador Adson Ferreira da Rocha.

O Rapha tem como objetivo reduzir o tempo de cicatrização, evitar internações prolongadas e, sobretudo, diminuir amputações, que são consequência frequente e incapacitante do pé diabético. A combinação entre o látex natural, material biocompatível e de baixo custo, e a fototerapia LED cria um tratamento inovador com potencial de ampliar o acesso a terapias avançadas no Brasil. “Feridas que cicatrizam mais rápido significam menos internações, menos antibiótico, menos trocas de curativo e menos complicações graves, como infecções profundas. No caso de pacientes diabéticos, isso se traduz diretamente em menos amputações evitáveis. O Rapha foi pensado como uma tecnologia de baixo custo unitário, mas de alto impacto, que possa ser incorporada à rotina do hospitalar geral, ajudando a reduzir sofrimento humano e, ao mesmo tempo, aliviando a pressão financeira sobre o Sistema Único de Saúde (SUS)”, detalha a engenheira.

Suélia ainda ressalta que o Rapha só existe porque várias áreas da engenharia trabalharam juntas.  “A engenharia biomédica conectou a linguagem clínica à técnica, traduzindo as necessidades de médicos e enfermeiros em requisitos de projeto. A engenharia de materiais foi essencial para desenvolver e padronizar a lâmina de látex, que fica em contato direto com a pele e com a ferida. A engenharia eletrônica cuidou do circuito, da segurança elétrica e do controle do equipamento. Já a engenharia mecânica se encarregou da estrutura, dos encaixes, da ergonomia e da robustez. Em paralelo, competências de engenharia de produção, qualidade e software permitiram transformar o protótipo de laboratório em um produto realmente viável para fabricação e implantação em larga escala.", esclarece Suélia.

O projeto já avançou etapas importantes. O equipamento foi aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o que significa que os requisitos de segurança elétrica e de desempenho básico foram atendidos. E agora está na fase final de análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
 

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Mais do que uma inovação técnica, o Rapha representa a esperança de dignidade e autonomia para milhares de pacientes. Em um mês dedicado a celebrar conquistas femininas, o trabalho de Suélia Rodrigues destaca o papel das mulheres na construção de soluções tecnológicas que podem transformar a rotina de milhões de brasileiros, reafirmando que a engenharia é a ferramenta mais potente para a transformação social.

 

Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea
Foto: arquivo pessoal
Infográfico gerado por IA

 

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