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Confea lança plataforma Infra-BR para monitorar infraestrutura do país


Créditos: Arquivo CREA-RS

O Confea lança nesta segunda-feira  (16) o Infra-BR, plataforma que avalia, estado por estado, as condições de infraestrutura do país em seis dimensões e 67 indicadores.

 A ausência de mapeamento da infraestrutura local pode levar a falta de investimentos necessários para o crescimento econômico e melhora na qualidade de vida da população. Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostrou que o Brasil investe apenas 2% de seu PIB em infraestrutura quando seriam necessários pelo menos 4,5% do Produto Interno Bruto em aplicação no setor. Em paralelo, o relatório de “Revisão da Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025” apontou a falta de transparência relacionada ao tema como um dos gargalos para o crescimento.  Ampliar o investimento de forma eficiente, porém, exige diagnóstico e informação qualificada sobre a realidade de cada território, o que significa saber onde estão os maiores problemas, quais estados têm mais urgência e quais segmentos oferecem maior retorno social e econômico.

Para atender a essa necessidade, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) desenvolveu o Infra-BR - Índice Confea de Infraestrutura do Brasil. A plataforma, de acesso público e gratuito, reúne dados sobre as 27 unidades da federação em uma escala de 0 a 100, organizados em seis dimensões, 20 componentes e 67 indicadores. O índice, elaborado em parceria com a mesma equipe que desenvolveu o  IPS-Brasil (Índice de Progresso Social) e seguindo o da American Society of Civil Engineers (ASCE), utilizado há décadas nos Estados Unidos, permite que os estados sejam classificados em notas relacionando o que já foi feito com o que precisa ser feito visando alcançar melhores resultados. Esse mapeamento cria ferramentas que possibilitam o gestor a saber em quais áreas destinar mais verbas. 

“A infraestrutura é um desafio para o desenvolvimento brasileiro, mas o maior obstáculo é identificar onde aplicar os recursos, em qual estado e em qual segmento. Com esses indicadores, será possível distinguir o que é urgente do que pode ser planejado, fortalecendo a lógica de priorização baseada em evidências”, afirma o presidente do Confea, engenheiro Vinicius Marchese. “O índice desenvolvido pelo Confea, portanto, pode ser um importante instrumento para a tomada de decisão por parte das lideranças políticas e dos administradores públicos”, complementa Vinicius Marchese.

O mapa mostra que a diferença entre regiões e estados puxa a média nacional para baixo. De um lado, o Distrito Federal, com 74,67 pontos. Do outro, o Acre, com apenas 28,46. Enquanto isso, dos oito estados com nota acima da média nacional, seis pertencem ao Sul e Sudeste. No extremo oposto, cinco dos sete estados com as piores notas estão na região Norte. No Nordeste, o saneamento básico se destaca como o maior gargalo: Pernambuco registra 31,02 pontos nessa dimensão, o Maranhão, 18,85, e o Acre - pior colocado geral - chega a apenas 11,28 pontos em saneamento. Para efeito de comparação, o Paraná marcou 76,29 na mesma dimensão, enquanto o DF chega a 80,19.

Os indicadores podem ser utilizados para transformar políticas de Estado e modernizar a gestão com informações padronizadas e atualizadas ano a ano. Ao identificar vulnerabilidades territoriais, os apontamentos também permitem levar em consideração as ações de combate aos riscos climáticos e ineficiência operacional. Além disso, servem a população para que os moradores acompanhem e saibam quais são os desafios locais e regionais. 

O  Infra-BR - Índice Confea de Infraestrutura do Brasil está disponível de maneira gratuita no site do Confea ou no site do Infra-BR: www.infrabr.org.br   
 
O que o índice mede
O Infra-BR cobre os eixos em que a engenharia tem capacidade direta de atuação, organizados em seis dimensões:

Energia e Conectividade - telecomunicações, geração, transmissão e distribuição;
Mobilidade - deslocamento intramunicipal, portos, escoamento de carga, rodovias e aeroportos;
Água - qualidade e distribuição (dimensão separada pela sua criticidade para a vida humana);
Bem-Estar Social e Cidadania - saúde, educação, moradia, assistência social, cultura e esporte;
Meio Ambiente e Resiliência - adaptação climática, cobertura vegetal e conservação;
Saneamento Básico -  resíduos sólidos e esgoto.

Ao estabelecer métricas padronizadas e comparáveis ao longo do tempo, o Infra-BR permite monitorar avanços e identificar tendências estruturais além de ciclos de gestão. A continuidade de dados favorece a formulação de políticas de Estado, sustentadas por evidências e por monitoramento permanente, em vez de iniciativas pontuais, caracterizadas pela falta de comparativos.

“Sem métricas claras, governos podem acabar concentrando esforços apenas na execução orçamentária sem avaliar se os investimentos estão, de fato, produzindo resultados concretos para a população. Um índice permite identificar gargalos, desigualdades territoriais e lacunas de informação”, observa Telma Hoyler, doutora em Ciência Política pela USP e consultora de políticas públicas e integrante da equipe de formulação do Infra-BR - Índice Confea de Infraestrutura do Brasil. 

Sobre o Confea
Fundado em 1933, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) é o órgão federal de regulamentação e fiscalização do exercício profissional da engenharia, agronomia, geociências e áreas correlatas no Brasil. Com sede em Brasília, coordena um sistema de Conselhos Regionais (Creas) presente em todos os estados, reunindo mais de 1,2 milhão de profissionais registrados. O atual presidente é o engenheiro Vinicius Marchese.
 

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