Atuação de Engenheiras cresce no País


Eng. Nanci Walter, Ivone Rodrigues, Alice Scholl e Giovana Giehl estão à frente da coordenação de Inspetorias, Câmaras e na composição da Diretoria

Créditos: Arquivo CREA-RS

A cada ano mais mulheres ingressam nos cursos de Engenharia. Conforme aponta estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), em dez anos - entre 2003 e 2013 - esse número passou de 24.554 para 57.022, um crescimento de 132,2%. Já a inserção masculina nesse período ampliou-se 78,3%, conforme as informações da FNE.

Ainda assim, os números de registros por gênero ainda mostram a predominância masculina na área. No Brasil são 86,3% de homens, ante 13,6% de mulheres registrados no Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). No RS, o quadro é bem parecido com 86,6% de registros masculinos, para 13,3% de registros femininos. Confira as estatísticas. 

Esses dados se refletem nos quadros de conselheiros e lideranças do Sistema Confea/Crea. No CREA-RS num total de 114 conselheiros representantes das Entidades de Classe e Instituição de Ensino, atualmente 17 são mulheres, sendo 8 conselheiras na Câmara de Agronomia, 4 na Engenharia Civil, 2 na Engenharia Química e 1 na Engenharia Elétrica, na Segurança do Trabalho e na Engenharia Florestal. 

Cargos de lideranças também ainda são pouco ocupados por Engenheiras. Mas, esse quadro vem mudando. Este ano, por exemplo, as Câmaras Especializadas de Engenharia Civil (CEEC) e de Engenharia Florestal (CEEF) estão pela primeira vez sob a coordenação de mulheres, Eng. Civil e Seg. Trabalho Alice Scholl e Eng. Florestal Ivone da Silva Rodrigues, respectivamente. No caso da Engenharia Florestal, a Engenheira é coordenadora-adjunta nacional. Os inspetores também elegeram uma mulher para assumir a Coordenação das Inspetorias, Eng. Ambiental Nanci Walter, pela segunda vez nos 82 anos do Conselho gaúcho. Veja o que estas profissionais falam sobre temas relacionados à inserção feminina nas Engenharias. 

IGUALDADE DE GÊNERO 

Eng. Civil e de Seg. Trab. Alice Scholl, coordenadora da CEEC, lembra que, apesar da predominância masculina, houve um aumento de 24% no ingresso de mulheres na Engenharia Civil, mas ressalta ainda algumas dificuldades encontradas no exercício da profissão. “Não podemos separar funções e atividades da Engenharia das funções de mãe e dona de casa, quando desenvolvidas por mulheres Engenheiras. Elaborar laudos e projetos, realizar vistorias, acompanhar a execução de obras e demais atividades da área, principalmente aquelas desenvolvidas fora do ambiente do escritório, requerem dedicação e tempo, o que para muitas mulheres ainda é visto como um dos principais empecilhos para optar por esta área de trabalho. Agrava-se a este a não aceitação de muitos homens, maridos, de que sua esposa trabalhe fora, de não estar ‘cuidando’ de seus filhos. Ainda temos muitos relatos de desvalorização da mulher Engenheira, não reconhecidas como profissionais competentes.”

Eng. Ambiental Nanci Walter, atual coordenadora das Inspetorias, também destaca o histórico de criação das escolas de Engenharia no País, formadas no âmbito militar. “No Brasil engenheiras começam a se formar, de forma isolada, a partir do início do século XX. Mas cabe a nós, mulheres, não ficarmos trazendo à tona estas disparidades como algo negativo. De minha parte, sempre encarei como um desafio. Muitas vezes somos poucas, às vezes únicas entre os colegas, e tudo depende de como encaramos isto: foi-se o tempo que este tipo de situação poderia ser vista como uma desvantagem! A postura que adotamos no ambiente de trabalho e enfrentamos situações adversas é o que nos diferenciam. Não tenho lembrança de alguma situação específica que tenha ficado na memória para relatar, mas também não posso afirmar que não passei por uma ou outra situação que tenha sido sentido algum desconforto, o importante é não somatizar e seguir em frente. Felizmente, as experiências positivas vividas até hoje superam as negativas.”

Eng. Florestal Ivone da Silva Rodrigues, coordenadora da CEEF, e também a coordenadora-adjunta da Coordenação Nacional da Engenharia Florestal, considera que as situações provocadas pela predominância masculina na profissão não são escrachadas. “Nunca senti acintosamente alguma dificuldade em relação a isso. Acredito que é numa situação mais velada. Também sempre deixei claro que estava onde estava devido aos mesmos méritos que os demais. Mas, realmente, ainda somos poucas. Nossa representação é em torno de 10% atualmente no Conselho. Mas percebo aos poucos que estamos ocupando os espaços de liderança.”

MULHERES EM PAPÉIS DE LIDERANÇA 

Eng. Civil Alice Scholl considera que ainda é preciso quebrar paradigmas para ocupar mais espaços de liderança no Sistema Confea/Crea. “Ainda vemos poucas mulheres liderando. Precisamos de mais mulheres na diretoria das Inspetorias, na presidência das entidades e classe e sindicatos e até mesmo em nossos Conselhos Regionais. Somos mulheres. Somos Engenheiras. Somos capazes. Ocupamos cargos. Lutamos pelo que desejamos. Somos mais zelosas. Temos nossa luz própria. Basta fazê-la brilhar.”

Eng. Alice Scholl na coordenação de reunião da Câmara Especializada de Engenharia Civil do CREA-RS

Eng. Ambiental Nanci Walter destaca que a ainda baixa representatividade está relacionada com o número de mulheres que optam por carreiras na Engenharia. “O número das colegas Engenheiras ocupando cargos de liderança está diretamente relacionado à quantidade de mulheres que optam pela profissão e pela parcela destas que decidem se dedicar as causas do Sistema Confea/Crea. Mas aos poucos estas mulheres estão trabalhando e contribuindo de forma conjunta com os colegas Engenheiros sem ter que se sentir diferente por conta de ser mulher. Precisamos eliminar este estigma de ‘mulher engenheira’ e, com isso, recebermos algum tipo de tratamento diferenciado. Também não é desnecessário aquela busca pelo ‘tratamento de igual para igual’. Apenas trabalharmos juntos e unidos na mesma direção e sentido.”

Eng. Nanci Walter  tomou posse no início do ano como coordenadora das Inspetorias do CREA-RS

DESAFIOS 

Primeira mulher a ocupar a coordenação da Câmara de Engenharia Civil, Eng. Alice Scholl, considerou a escolha uma grande surpresa. “Mas uma boa surpresa. Devo isso principalmente a confiança em mim depositada por meus colegas conselheiros. É motivo de orgulho ocupar este cargo tão importante. Quando comecei a dedicar parte de meu tempo na defesa da Engenharia na Inspetoria de Pelotas, de certa forma já almejava alcançar objetivos que me dessem a oportunidade de contribuir cada vez mais na valorização da Engenharia, junto a minha entidade de classe, a Aeap, e ao meu Sindicato, o Senge. Ser a primeira mulher a ocupar este cargo também reforça a responsabilidade. Não faltará garra e determinação.” Considera como principais pontos de trabalho, a defesa do exercício profissional ético e responsável; os cursos de Engenharia Civil presenciais, valorizando e qualificando o ensino profissional; a unificação de procedimentos no Sistema; o cumprimento do salário mínimo profissional, não permitindo a prostituição da Engenharia; a valorização de entidades de classe e dos sindicatos; e dirimir os conflitos de atribuição entre Conselhos.

Eng. Ambiental Nanci Walter, segunda mulher a ocupar o cargo de coordenadora das Inspetorias, atuando diretamente com os representantes do CREA-RS nas 45 inspetorias, considera que os desafios encontrados por sua antecessora, Eng. Eletrônica Shirley Schroeder, nove anos atrás foram maiores. “De lá para cá mais Engenheiras ingressaram ao Sistema Confea/Crea e temos a nossa disposição mais meios de comunicação (Whatsapp, Facebook e outros), importantes aliados para divulgarmos nossas ações. O sentimento é semelhante quando estive à frente de Inspetoria, ou como Representante de Zonal o que muda são as responsabilidades. Para ela, os objetivos são de desenvolver um bom trabalho ao lado do coordenador-adjunto, Eng. Civil Eliseu Porto de Moura, repensando a participação dos inspetores e representantes de Zonal enquanto representantes do Conselho, com foco na valorização profissional. “Nossa gestão está iniciando, e ninguém faz um bom trabalho sozinho. Por isso, contamos com o apoio dos demais colegas.”

Eng. Ivone Rodrigues também foi escolhida como coordenadora-adjunta da Coordenadoria de Câmaras de Engenharia Florestal do Confea

Eng. Florestal Ivone da Silva Rodrigues também comemora a coordenação da sua Câmara. “Sinto que é uma conquista. Atualmente, na Engenharia Florestal, se formam mais mulheres que homens, panorama bem diferente de 20 anos atrás. Com isso, a representatividade também tem que ser mais igualitária. O desafio é a igualdade pela competência, pelo trabalho, não pelo gênero ou qualquer outra diferença.”

MULHERES NOS CURSOS DE ENGENHARIA

“Muito se fala em igualdade de gêneros, porém esta relação ainda é muito desigual. Meninas crescem ouvindo e sendo induzidas a serem donas de casa, professoras.  Apesar de hoje vermos muitas mulheres em cursos de Engenharia, ainda assim são poucas dentro do universo das Engenharias e isso reflete diretamente na formação do mercado de trabalho.” Eng. Alice Scholl

“Acredito que as meninas devam encontrar seu próprio caminho, elas devem querer escolher a Engenharia que mais se identificam. A cada geração as diferenças e dificuldades diminuem em um ritmo por vezes lento. Hoje devemos muito as mulheres que foram pioneiras em suas épocas, como no caso da Edwiges Maria Becker em 1919 no RJ. Aqui no RS temos Ducy Vargas Alves graduada em 1950 pela UFRGS, ambas em Eng. Civil. E tantas outras que desbravaram este universo masculino da Engenharia. Aqui em nosso Estado a UCS desenvolve um programa bem interessante que aproxima as estudantes de ensino médio e a Ciência e Tecnologia, elas reúnem-se semanalmente para participar de oficinas, palestras com especialistas das áreas e visitas a empresas da região. (link da matéria completa: http://www.ucsminhaescolha.com.br/noticias/960/engenharia-mais-proxima-das-meninas).” Eng. Ambiental Nanci Walter

“Hoje, de maneira geral, as mulheres estão estudando mais que os homens. Salvo algumas áreas da Engenharia, na maioria as mulheres estão chegando e ocupando seus espaços, pela competência. Porém é sabido que na representação política somos poucas, tendo até uma lei que estipula que 20% no mínimo dos candidatos têm que ser mulheres. Há que se lembrar que foi nos dado o direito ao voto há pouco mais de 80 anos, antes nem votar podíamos. Quero dizer que tudo é bastante recente: mulher, profissional, mas vejo que caminhamos a passos largos.” Eng. Florestal Ivone da Silva Rodrigues
 

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