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Eng. Mondardo deixa legado para agronomia gaúcha


Engenheiro Arcângelo Mondardo . Créditos: Arquivo CREA-RS

Agronomia, Agronomia, Agronomia! O Rio Grande do Sul perde um verdadeiro Engenheiro Agrônomo, no mais sentido literal de um apaixonado verdadeiramente pela terra, pelo cuidado da terra, pois foi um dos pioneiros na Operação Tatu, na década de 80 e que transformou a agronomia gaúcha. Neste sábado ocorreu o falecimento do Eng. Agr. Arcângelo Mondardo.

Não só amava a Agronomia, mas defendia o papel e a importância do Sistema Confea/Crea na defesa da profissão de Engenheiro Agrônomo. Lutava ainda para o devido destaque da Agronomia dentro do Sistema. Para ele, o objetivo era defender a atuação dos profissionais da agronomia juntamente com as entidades de classe de todo o estado.

Deixará saudades entre os colegas do CREA-RS, onde atuou como conselheiro titular e suplente por cinco mandatos, quatro como representante da Aeavarp, e um deles pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Porto Alegre. Seus mandatos compreenderam os triênios 2001/2003, 2004/2006, 2010/2012, 2013/2015 e 2020/2022.

Sempre lembrava o papel do Engenheiro Agrônomo no cenário político, econômico e social e na formação de novos profissionais. Para ele, era fundamental mostrar o papel e a experiência do Engenheiro Agrônomo em um setor que lidera o PIB nacional, que é o agronegócio, o que implica responder às demandas que surgem e exigem especialização cada vez mais urgente.

Em reunião com a diretoria da Sargs

Em 2006, assumiu a presidência da Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul (Sargs), contribuindo para reestabelecer a importância da entidade no cenário da Agronomia do Rio Grande do Sul. Para ele, o papel da Sargs era muito representativo em todos os setores políticos e econômicos.

Desde a sua fundação, a Sargs vem encampando lutas e participado de várias frentes de trabalho e está intimamente ligada ao progresso do setor rural gaúcho. Um dos exemplos é a Operação Tatu, desencadeada no Estado, com base em estudos da Faculdade de Agronomia da UFRGS e que transformou o RS em um celeiro do Brasil por várias décadas.

Em reunião na Sargs com o ex-ministro da Agricultura, Eng. Agrônomo Luiz Fernando Cirne LimaO Receituário Agronômico também nasceu dentro da entidade e suas afiliadas, que fizeram aprovar a lei estadual de agrotóxicos, embrião de toda a legislação que envolve o tema no Brasil.

Ele mesmo, em um artigo para a Conselho em Revista de 2006, escreveu:
“A Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul (Sargs) tem uma história bonita que começou com a regulamentação da profissão de Engenheiro Agrônomo no Brasil em 1933, quando os diplomados egressos das Escolas e Faculdades de Agronomia passaram a gozar de atribuições exclusivas. No mesmo ano foi criado o Sindicato Agronômico do Rio Grande do Sul, que, 10 anos depois, passou a se chamar Sociedade, sempre mantendo os princípios básicos e os objetivos que nortearam sua criação, quais sejam congregar, valorizar e lutar pelos interesses da classe agronômica no Rio Grande do Sul. Em 1987, por manifestação dos associados dos núcleos da Sargs em Assembleia Geral, localizados no interior do Estado, decidiu-se pela criação de Associações municipais ou regionais de engenheiros agrônomos, passando a Sargs a funcionar como uma Federação, que congregava e representava todas as Associações. Manteve-se o nome Sargs devido à força de marca que nas décadas anteriores conquistou amplos espaços na sociedade pela sua participação e liderança em campanhas e lutas memoráveis da classe, entre elas a que resultou na implantação do receituário agronômico no Rio Grande do Sul.
Chegou, inclusive, a criar um jornal, Sargs em Notícias, para divulgar as atividades das entidades e dar ênfase aos principais assuntos sobre a Agronomia.

Anfitrião do XXVI Congresso de Agronomia recepciona à época governadora Yeda Crusius

Seu maior orgulho foi, como presidente da Sargs, em outubro de 2009, ser o anfitrião do XXVI Congresso Brasileiro de Agronomia, que ocorreu em Gramado, com o tema Alimento, Energia e Meio Ambiente. Com grande participação e prestígio dos profissionais da Agronomia, o evento contou com a presença da governadora da época Yeda Crusius.

O Congresso contou com a participação do norte-americano John Murdock, responsável na década de 60 pela elaboração do Projeto de Recuperação da Fertilidade do Solo do Rio Grande do Sul - denominado Operação Tatu, que abordou as práticas de recuperação de áreas degradadas.

Segundo o conferencista, a finalidade do projeto era incrementar a produtividade das lavouras. "Usávamos adubação e práticas cultivares corretas para cada região", exemplificou. "Chegamos a aumentar o rendimento do milho em sete vezes e o da soja em cinco vezes", afirmou. Conforme Murdock, naquela época os solos eram muito ácidos e com deficiência de nutrientes. O projeto foi um sucesso e acabou sendo expandido para outros estados.

Quando retornou à presidência da Sargs para a gestão 2012/2013, um de seus objetivos é dar continuidade ao processo de organização administrativa e financeira da entidade. “Nas últimas três gestões, viemos trabalhando nisso e, desde então, estamos conseguindo resgatar diversos pontos que consideramos cruciais, como o saneamento financeiro, a reforma estatutária, na qual permite a descentralização operacional, através de vice-presidências regionais, a organização legal de operação da Sargs, recuperação e ordenação de todo o acervo histórico da entidade”, destacava.

Também presidiu a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Rio Pardo (AEAVARP) por um mandato, gestão 1990/1991.

Foi um defensor da atualização do Código Florestal e participava ativamente de todas as discussões referentes ao tema, promovendo bate-papo e debates, além de representar o CREA-RS, como conselheiro da Câmara de Agronomia, em audiências públicas sobre o tema.
Acreditava que os engenheiros agrônomos deveriam dar suporte científico, tecnológico e também estratégico, uma vez que a agricultura, pecuária e o agronegócio, bem conduzidos são o esteio para o desenvolvimento sustentável.

Integrante da delegação do CREA-RS na 67 Soea
Destacava que a evolução tecnológica, na área agronômica, foi de grande importância para Agronomia, pois trouxe maior visibilidade ao papel desempenhado pelo engenheiro agrônomo, nos mais variados campos, desde a produção de alimentos de origem vegetal e animal, com aumentos significativos nos índices de produção e produtividade, aliados ao crescimento em qualidade e quantidade.

Assim como nas mais diversas dimensões da cadeia produtiva do agronegócio, somados às ações de proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico do meio rural, com reflexos diretos no PIB e na balança comercial brasileira.

Para ele, o grande desafio da classe era produzir alimentos com qualidade e em quantidade suficiente, ordenando a cadeia produtiva para que os benefícios gerados pela produção das riquezas oriundas dos campos sejam apropriados para todos.

Defendia ainda inteligência de todos os envolvidos no sistema de produção, armazenagem, transporte e distribuição, de modo que esses processos não sofressem de solução de continuidade e esteja amparados por políticas públicas que venham ao encontro das necessidades dos grandes centros. Também encontrava na comunicação a força para a valorização profissional, tendo sido membro da Comissão Editorial da Conselho em Revista.

Em 2015, foi centro de uma matéria na ZH, https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2015/10/aposentado-cria-e-cuida-de-horta-em-escola-estadual-de-porto-alegre-4864241.html, “O engenheiro agrônomo aposentado Arcangelo Mondardo, 70 anos, do Bairro Bela Vista, trabalha voluntariamente nas quartas-feiras na escola.

Realmente, vai deixar saudades pelo seu jeito incansável de lutar pelas entidades, nas quais acreditava que poderia fazer a diferença.

Expointer 2019 com o CREA-RS
O Eng. Mondardo foi um dos palestrantes no estande do CREA-RS, compartilhando suas experiências, em especial ao projeto Caminho do Bem, que desenvolveu em parceria com o Rotary Club Porto Alegre nas escolas públicas da capital gaúcha. Segundo ele, foi um projeto voltado para incentivar as crianças aos cuidados com o meio ambiente, mas também aproveitar o que a natureza pode oferecer com o alimento seguro na mesa da população. Ficará como seu legado à Escola Estadual de Ensino Fundamental Brigadeiro Eduardo Gomes a horta cultivada com os alunos. Esse projeto consta na Conselho em Revista, edição 131 (nov/dez 2019).

Os atos fúnebres ocorrerão na manhã deste domingo (18), das 9 às 11 horas, no Crematório Metropolitano nesta capital.

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